É JESUS O ARCANJO MIGUEL?

Nas Escrituras Sagradas se apresenta um arcanjo que desempenha funções importantíssimas relacionadas com os propósitos de Deus. Talvez a mais sobressalente de todas seja sua batalha contra o Diabo e os demônios e o momento em que os expulsa da região do universo onde Deus reside.

Que tem a ver o tema do arcanjo Miguel com a doutrina da Trindade?

Aos trinitários parece irreverência a declaração de que esse arcanjo, chamado Miguel, seja Jesus Cristo. Por que? Sua teologia os tem feito crer que um arcanjo é um simples anjo, criado por Deus. Crêem que isto diminui a ‘divindade’ de Cristo e é impossível, pelo credo trinitário, que ele seja um arcanjo.

Sendo Miguel o nome celestial do Filho de Deus, a evidência bíblica indica que o nome Miguel se aplicava ao Filho de Deus antes de ele deixar o céu para se tornar Jesus Cristo, e também depois do seu retorno. Miguel é o único mencionado como “o arcanjo”, que significa “anjo principal” ou “anjo mais importante”.
Não pense que chamá-lo ‘arcanjo’ seja um insulto ao grau de divindade limitada que Jesus possui, pois não é!

O que ensina a Tradição

A tradição eclesiástica ensina que existem sete arcanjos: Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Baraquiel, Jeudiel e Saeltiel. Os dois primeiros nomes são mencionados na Bíblia. Os cinco seguintes são mencionados nos livros apócrifos de Tobias, Enoque e quarto livro de Esdras. Portanto, a ideia de que existam sete arcanjos não é bíblica; fundamenta-se em livros não inspirados, ou conhecidos como apócrifos.

O que ensina a Bíblia

A palavra arcanjo está composta pelo prefixo ‘arc’ que significa ‘chefe’. O significado do termo é ‘Chefe dos anjos’. Quando se menciona nas Escrituras, nunca se usa em plural, o que indica que existe um só arcanjo, um único chefe dos anjos. E é a Miguel a quem unicamente se lhe chama arcanjo.

“Mas, quando Miguel, o arcanjo, teve uma controvérsia com o Diabo e disputava acerca do corpo de Moisés, não se atreveu a lançar um julgamento contra ele…” (Judas 9)

 

Referências de Miguel nas Escrituras Hebraicas

A primeira vez que se menciona por nome a Miguel é em Daniel 10:13, 20, 21:

“Mas o príncipe do domínio real da Pérsia opôs-se a mim por vinte e um dias, e eis que veio ajudar-me Miguel, um dos mais destacados príncipes; […] E agora voltarei para lutar com o príncipe da Pérsia. Quando eu partir, eis que virá também o príncipe da Grécia. No entanto, eu te contarei as coisas escritas na escritura da verdade, e não há ninguém que se mantenha forte comigo nestas coisas exceto Miguel,vosso príncipe”.

 

O relato de Daniel 10:13 é de um anjo de Deus de categoria inferior que havia experimentado a oposição de um anjo malvado, “o príncipe da Pérsia”. Logo o acode Miguel em ajuda, “um dos mais destacados príncipes”, pois também havia outros príncipes, os da Pérsia e Grécia, que eram anjos maus que estavam em oposição. Depois que Miguel peleja contra o iníquo príncipe da Pérsia, lemos que enfrentou também o “príncipe da Grécia”, outro anjo mau em oposição. É Jesus Cristo em sua existência pré-humana o arcanjo Miguel que combateu aos príncipes maus da Pérsia e Grécia?

Em Daniel 12:1 se menciona outra vez o arcanjo Miguel em um contexto dramático relacionado com os últimos tempos:

“E durante esse tempo por-se-á de pé Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo…”.

Podemos comparar este versículo com Isaías 9:6, donde se alude a Jesus Cristo:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; […] E será chamado pelo nome de […] Príncipe da Paz”.

Pois bem, em outras partes da mesma profecia, o termo ‘por-se de pé’ significa que a pessoa assume autoridade para governar como rei. (Daniel 11:3, 4, 7, 20, 21). Por conseguinte, quando Miguel ‘se põe de pé’, ele, também, começa a governar como rei.

No capítulo 7 de Daniel há outra profecia acerca da marcha das potências mundiais que tem características paralelas a do capítulo 11 de Daniel. Contudo, na culminação dessa profecia se nos diz que a ‘a alguém semelhante a um filho de homem” lhe “foi dado domínio, e dignidade, e um reino”. (Daniel 7:13, 14). Por todas as partes se reconhece que o que é ‘semelhante a um filho de homem’ é Jesus Cristo (Mateus 10:23; 26:64; Apocalipse 14:14). Por conseguinte, na culminação de uma profecia Jesus chega a ser rei. Na outra profecia de Daniel, Miguel chega a ser rei. Haja visto que ambas profecias tratam sobre o mesmíssimo tempo e o mesmíssimo acontecimento, seguramente é razoável concluir que se estão referindo também a mesma pessoa. Miguel e Jesus são a mesma pessoa.

        O anjo Gabriel

Gabriel é um anjo mencionado por nome nas Escrituras inspiradas. Em uma ocasião, aparece a Daniel para explicar a visão do bode e o carneiro (Daniel 8:1, 15-26). Depois aparece a Maria para anunciar-lhe o nascimento de Jesus (Lucas 1:26-38). Mas nunca se diz que ele seja um arcanjo. De fato, as funções que este anjo desempenhou foram de menor importância que as que Miguel realizou. Enfrentou a príncipes iníquos de Satanás, e ajudou a anjos de menor classe a se libertar desses espíritos maus.

        Referências de Miguel nas Escrituras Cristãs

É interessante notar que em uma das cartas do apóstolo Paulo o nome de Jesus está relacionado com a palavra arcanjo:

“O próprio Senhor [Jesus] descerá do céu com uma chamada dominante, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus”. (1 Tessalonicenses 4:16)

É vontade e arranjo de Jeová que Jesus ressuscite aos mortos (João 6:38-40). É a trombeta de Deus que dá o toque para que os mortos voltem a viver, tal como Deus instruiu que se tocassem trombetas para congregar a seu povo na antiguidade (Números 10:1-10). Jesus emite uma ‘chamada imperativa’ para que os mortos saiam, tal como fez em certa ocasião quando esteve na Terra (João 11:43). Mas agora ele não chama com voz de homem, como o fez então, mas sim com toda a força de uma ‘voz de arcanjo’ (en phoné arkhaggélou). Portanto, só um arcanjo pode chamar com voz de arcanjo! E ninguém mais, senão Jesus, se lhe tem dado autoridade de ressuscitar aos mortos. Assim, esta emocionante profecia fornece outra poderosa razão para identificar a Jesus com o arcanjo Miguel.

A última vez que aparece o nome Miguel na Bíblia é no livro de Apocalipse. Ali lemos:

  • “E irrompeu uma guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam com o dragão, e o dragão e os seus anjos batalhavam, mas ele não prevaleceu.” (Apocalipse 12:7, 8)

Aqui vemos em ação a Miguel como o arcanjo de Deus. Ele, com ‘seus anjos’, derrota a Satanás e o lança a Terra.

  • “Porque o Filho do homem está destinado a vir na glória de seu Pai, com os seus anjos”. (Mateus 16:27)

  • “Por ocasião da revelação do Senhor Jesus desde o céu, com os seus anjos poderosos”. (2 Tessalonicenses 1:7)

Isto, também, é um argumento a favor do fato de que Jesus e Miguel são a mesma pessoa. Depois em Apocalipse 12:11 lemos que Satanás foi vencido e expulso dos céus graças “ao sangue do Cordeiro”, Jesus. O que continua claramente indicando que Cristo é o arcanjo Miguel.

Como você pode observar, Miguel sempre combate às forças do mal e Jesus Cristo combate igualmente a tudo o que se opõe a Deus (Apocalipse 19:11-16). O nome Miguel significa “Quem é como Deus?”, o que nos revela que Miguel é o vindicador da soberania do Deus Todo-Poderoso. Em Apocalipse 19:11-16 se vê a Jesus Cristo como vindicador da soberania de Jeová.

Visto que Jesus é aquele de quem se profetizou que esmagaria a cabeça de Satanás, e visto que leva a cabo todas essas execuções de julgamentos, só é lógico concluir que ele dirigiria aos exércitos celestiais em expulsar do céu a Satanás. Desta maneira, o Miguel vitorioso que se faz referência no capítulo 12 de Apocalipse deve ser Jesus, a quem Jeová disse que ‘subjuga no meio dos teus inimigos.’ (Salmo 110:1, 2; Atos 2:34, 35)

Ao passo que no capítulo 12 do livro de Apocalipse apareça o nome Miguel, em lugar de Jesus, também dirige nossa atenção a profecia do capítulo 12 de Daniel, que consideramos antes. Em Daniel lemos que Miguel se pôs de pé (Daniel 12:1). Em Apocalipse, capítulo 12, Miguel atua como um monarca conquistador e lança a Satanás para a Terra.

Assim, o fato de que Miguel é o arcanjo, chefe dos anjos, e que se ponha de pé para governar como rei, e de que tome a dianteira em expulsar do céu a Satanás no tempo do nascimento do Reino de Deus, tudo nos leva a uma só conclusão: ‘Miguel, o grande príncipe’ é nada menos que Jesus Cristo mesmo. (Daniel 12:1)

Talvez alguns pensem que ao considerar a Jesus como um anjo se detrai a sua dignidade. (Veja também Apocalipse 10:1-3 e pergunte-se: Qual é a identidade deste anjo?) Entretanto, lembre-se que o significado básico do vocábulo ‘anjo’ (malakh em hebraico e ággelos em grego) é ‘mensageiro’. Como a “Palavra” (logosem grego), Jesus é o mensageiro por excelência. Lembre-se, também, que como arcanjo, e também “o primogênito de toda a criação”, Jesus possuía o mais alto posto entre os anjos até antes de vir a Terra. (Colossenses 1:15)

Obviamente, estas verdades bíblicas contradizem o dogma da Trindade. Simplesmente por que o Deus Todo-Poderoso não pode ser o arcanjo mencionado nas Escrituras. Se os trinitários levassem em conta estas verdades perceberiam que a doutrina da Trindade é um erro da tradição eclesiástica.

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