Os Cristãos do primeiro século eram “Falsos Profetas”?

 

“FALSAS PROFECIAS” dos primitivos cristãos:

Em 32 EC – “Profetizaram” que o Reino de Deus iria se manifestar “imediatamente”; a palavra grega aqui usada é “parachrema” que denota algo imediato, instantâneo. Essa palavra é muito usada por Lucas para indicar os efeitos imediatos das curas milagrosas que Jesus fazia. Foi necessário que Jesus fizesse uma ilustração para mostrar que seus discípulos estavam equivocados quanto a essa data. – Luc.19:11. (Veja Dicionário Vine, p.702.)

Antes de 33 EC – Após a morte de Jesus, que ocorreu em 33 EC, seus discípulos demonstraram estar equivocados quanto a obra do Messias. Eles não entenderam que ele teria de sofrer, morrer e ser ressuscitado no terceiro dia. Eles também esperavam que “esse homem fosse aquele que ia livrar Israel”. (Luc.24:21) Achavam que Jesus iria livrar a nação de Israel do domínio opressor dos gentios.

Em 33 EC, próximo de 25 de Íiar- Criam que Jesus iria estabelecer o Reino naquele “tempo” (chronos, em grego) após sua ressurreição, pouco antes de ascender aos céus. Também achavam que este Reino seria restabelecido a Israel. Estavam equivocados quanto aos “tempos” (chronos; duração dos períodos) e quanto às “épocas” (kairós; “épocas caracterizadas por certos eventos”). Erraram tanto a data quanto o evento que iria ocorrer. – Atos 1:6,7.
(Veja Dicionário Vine, p.621)

Em 50 EC – Alguns acreditavam que o “Dia de Jeová” ou “Dia do Senhor” já havia chegado por volta daquele ano. Paulo teve de alertar a congregação dos tessalonicensses para que não perdessem o bom senso devido a essas “falsas profecias”. 2 Tes.2:1,2.

Antes de 100 EC – Interpretaram erroneamente as palavras de Jesus referentes ao apóstolo João (que morreu por volta de 100 EC): “Se eu quiser que ele permaneça até eu vir, o que importa isso a você?” Eles entenderam que a vinda de Jesus ocorreria antes da morte de João, e que desse modo, ele não iria morrer. – João 21:21-23. (Embora João realmente tenha “presenciado” a vinda de Jesus por meio da visão que teve registrada no Apocalipse. -Apoc.1:10).

Eram esses seguidores de Jesus “Falsos Profetas”?

Alguns opositores tem alegado que as Testemunhas Cristãs de Jeová dos tempos modernos são “Falsos Profetas” já que possuem “um histórico de falsas profecias não cumpridas.” Mas como podemos observar, os seguidores de Cristo sempre esperaram com ansiedade o cumprimento das profecias bíblicas, e em alguns momentos, suas expectativas os levaram a conclusões erradas. Até mesmo o Profeta Natã se equivocou ao dar uma orientação a Davi. Ele também precisou ser corrigido. (2 Sam.7:1-16.) Prova isso que esses servos de Deus do passado não tinham a “verdade”? Não, não prova, assim como não prova que os cristãos atuais não pregam a “verdade”. Será que os mais de 330 ajustes de entendimentos bíblicos (sim, os opositores contam cada um) nos últimos tempos provam que eles não ensinam a verdade? Nenhum desses ajustes foi sobre a “doutrina básica acerca do Cristo.” (Heb.6:1,2). Os cristãos não alteraram seu entendimento bíblico sobre o propósito de Deus para a humanidade, sobre a condição dos mortos e a esperança de ressurreição, sobre o sacrifício resgatador de Jesus, dentre outros ensinamentos básicos da Bíblia, os quais ela chama de “alicerce” ou base. Todos os ajustes feitos foram de aspectos, ou detalhes, desses ensinamentos. Imagine a dificuldade dos cristãos do primeiro século ao terem de abandonar mais de 600 leis que faziam parte de seu entendimento anterior. (Rom.10:4) Foram bem mais de 330 ajustes. E esses ajustes também foram progressivos. Alguns cristãos hesitaram para deixar a circuncisão, a guarda de festividades judaicas, entre outras coisas.

“Mas nenhum desses servos de Deus do passado tinha a Bíblia completa como temos hoje!”, alegam os opositores. Bem, eles tinha as orientações que Deus lhes havia dado, como a Lei, e todo o restante das Escrituras Hebraicas (2Tim.3:16). Na grande ansiedade de ver as profecias divinas cumpridas, se adiantaram, e erraram. (Prov.13:12.) As mais diversas igrejas da cristandade, como as Igrejas Batista, Luterana, Assembleia de Deus, e até a Igreja Católica tem seus “históricos de profecias não cumpridas”. São essas denominações “falsos profetas”? Obviamente que os opositores não concordariam com isso.

A questão é: Tiveram humildade para assumir que criaram expectativas erradas? Tiveram honestidade para serem transparentes em declarar que erraram?

Certo site de um ministério apologético afirma que “poucas delas (TJs) sabem que…a Sociedade Torre de Vigia anunciou e proclamou…que tal presença (de Cristo) se dera em 1874.” Como assim? Poucas sabem? Exatamente esse ajuste de entendimento foi considerado há alguns meses na reunião do meio da semana para todas as TJs saberem. As cerca de oito milhões de TJs ficaram cientes desse equívoco. Que necessidade havia de fazerem isso? (Veja o livro “O Reino de Deus já Governa”, páginas ?). Qualquer pessoa que entre em uma reunião das TJs numa quarta ou quinta feira saberá desses fatos. Não são escondidos. São contados em detalhes no livro “Proclamadores do Reino de Deus.”

Mais importante ainda: Continuam as TJs vigilantes, aguardando ansiosamente o cumprimento de profecias bíblicas? Certamente que sim, e isso se evidencia pela sua conduta, seu zelo na sua pregação, seus esforços em fazer a vontade de Deus. O mesmo site já citado diz que “a Sociedade Torre de Vigia é culpada de falsas profecias…e por meio de tais artifícios, procura transmitir uma ilusão de urgência”. Até mesmo consideram a urgência cristã como uma “ilusão”! Zombam daqueles que pregam a “presença” de Jesus como Rei desde 1914. Zombam dos que se mantém vigilantes conforme a ordem do nosso Senhor Jesus Cristo: “Mantenham-se vigilantes”. (2 Ped.3:3,4; Mat.24:42).

“O Filho do homem vem numa hora que vocês não imaginam.” (Mat.24:44).

Isso obviamente não significa que por ocasião da vinda de Jesus os cristãos não estariam atentos e vigilantes, pensando no cumprimento das profecias. Ao contrário, esse texto deixa claro que haveriam momentos que os cristãos iriam imaginar que o fim havia chegado, quando isso ainda não havia acontecido. A Bíblia até mesmo nos aconselha a “ter bem em mente a presença do Dia de Jeová” e aguardar o cumprimento da profecia “mesmo que demore” ou “pareça demorar”. (2Ped.3:12; Hab.2:3, nota.) Não indica isso que haveriam equívocos entre os servos de Deus quanto a essas profecias? Essas expectativas errôneas acerca do fim por parte dos cristãos verdadeiros não alterariam o calendário do Grande Cronometrista Jeová. Ele já fixou um dia para julgar a humanidade. (Atos 17:31) Já marcou esse dia em seus “calendário”. Deus sabe exatamente a hora de iniciar esse “Dia”. Nem irá antecipar, nem irá atrasar. Aguardemos pois, com grande expectativa o dia em que nosso Deus Jeová irá trazer “novos céus e uma nova terra…segundo a promessa dele.” (2 Ped.3:13).

 

Fonte: Contribuído.